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![]() "A gente, agente e há gente!"
Entre as dúvidas mais recorrentes, uma que ainda causa muita dor de cabeça na hora de passar as ideias para o papel é o uso dos termos a gente, agente e há gente. Afinal, qual é o correto? As três expressões, a gente, agente e há gente, existem e são empregadas em situações bem diferentes! Sim, elas são homófonas (palavras ou expressões diferentes cuja pronúncia é a mesma), mas semanticamente elas não possuem similaridades. Observe quando e como usar: a gente, agente e há gente: ● A gente: Trata-se de uma locução pronominal semanticamente equivalente ao pronome nós. Deve ser conjugada na terceira pessoa do singular e evitada na modalidade escrita (especialmente nos textos não literários), já que está muito associada ao coloquialismo. O exemplo abaixo foi retirado de uma música do grupo Titãs, registro que privilegia a linguagem literária e suas licenças poéticas: “(...) A gente não quer só comida A gente quer comida Diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída Para qualquer parte... A gente não quer só comida A gente quer bebida Diversão, balé A gente não quer só comida A gente quer a vida Como a vida quer (...)”. (Comida - Arnaldo Antunes/Sérgio Brito/Marcelo Fromer) ● Agente: Conforme definição do dicionário Michaelis, agente é aquele “Que age, que exerce alguma ação; que produz algum efeito. O que agencia ou trata de negócios alheios. 2 Pessoa encarregada da direção duma agência.” Portanto, a palavra agente pode ser empregada apenas como substantivo comum e não deve ser confundida com a locução pronominal a gente: “Sou um agente secreto tão secreto que não sei quem sou a minha agência é tão secreta que não sei qual ela é (...)”. (Trecho da letra da música “Agente secreto”, da banda Garotos Podres) Agente, assim, escrito junto, só se for o substantivo comum que nomeia aquele que age ou agencia algo, como o fictício agente britânico James Bond Agente, assim, escrito junto, só se for o substantivo comum que nomeia aquele que age ou agencia algo, como o fictício agente britânico James Bond ● Há gente: Há gente = tem gente, ou seja, “existem pessoas”. Portanto, a expressão deve ser empregada somente nesse contexto. Observe o exemplo em uma frase da escritora Lya Luft: “Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega.” (Fragmento extraído do artigo “O verdadeiro ecologismo”, disponível em Veja) Maria Augusta da Silva Caliari
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 18/04/2018
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