
"Mar de serpentina"
A avenida é um espelho que não reflete a face,
Mas o desejo de ser o que a vida não deixou.
Operário veste o manto de um rei que não nasce!
Viúva dança o riso que o tempo lhe roubou.
É uma febre de purpurina, um delírio de cetim,
Onde a futilidade moderna encontra o seu altar.
Promessas de amor eterno que encontram o seu fim
Antes mesmo do Sol de domingo o bloco despertar.
Beijos de plástico, coroas de papelão dourado!
O suor mascara a lágrima que insiste em cair.
Todo o vazio do mundo parece estar mascarado
Nesse esforço supremo e fútil de apenas sorrir.
Mas o Vento sopra o confete e revela o asfalto nu,
A ilusão é um navio que afunda em Mar de serpentina.
O rei volta ao ônibus, o brilho volta ao tabu,
E a realidade acorda, fria, na próxima esquina!
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 11/02/2026
Alterado em 12/02/2026