
"O Assobio da Noite"
A tempestade chegou sem aviso, trazendo um vendaval que parecia querer arrancar a velha casa de madeira do chão. Às nove da noite, a eletricidade cedeu. O estalo do transformador estourando na estrada foi o último som humano que Alice ouviu antes que o rádio a pilha silenciasse em estática. Ela estava sozinha.O vento batia nas janelas com a força de punhos fechados. A estrutura da casa rangia, um lamento constante que arrepiava a espinha. Alice acendeu uma vela, a chama dançando freneticamente com a corrente de ar que insistia em entrar por frestas invisíveis. Ela tentou olhar pelo vidro da sala, mas a escuridão lá fora era absoluta, rasgada apenas pelo movimento violento das árvores sobreviventes.Foi então que o barulho mudou.No meio do rugido do vendaval, algo pesado bateu contra a porta dos fundos. Não era o galho de uma árvore. Foi um impacto seco, seguido por um arranhar lento, como unhas testando a resistência da madeira. Alice prendeu a respiração, o coração batendo no ritmo frenético dos galhos contra o telhado. Ela pegou a lanterna reserva e caminhou a passos curtos pelo corredor estreito.— Olá? — sua voz sumiu na imensidão do barulho externo.Nenhuma resposta veio, apenas o assobio agudo do vento sob a porta. Ela se aproximou da fechadura. O trinco de ferro estava frio. Quando ela encostou a mão no metal, a maçaneta girou violentamente de fora para dentro. Alice pulou para trás, soltando um grito abafado. A porta permaneceu trancada, mas quem quer que estivesse do outro lado sabia que ela estava ali.De repente, um estrondo ecoou no andar de cima. Uma das janelas do quarto principal havia estilhaçado. O vendaval invadiu a casa, apagando a vela da sala instantaneamente e fazendo as cortinas voarem como fantasmas. Junto com o ar gélido e as folhas secas, Alice ouviu passos pesados e molhados caminhando pelo teto de madeira, logo acima de sua cabeça,alguém ou algo tinha acabado de entrar. Siga com um final,postarei com carinho.
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 11/07/2026