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"Névoa branca e fria"

 

O silêncio da mata verde escura mudou de repente. O Vento parou, e João percebeu que até os pássaros tinham se calado. Ele não estava mais sozinho.

O Rastro Desconhecido e pegadas fundas surgiram na lama fresca, mas não eram de nenhum animal conhecido.

 

Marcas de garras rasgavam as cascas das árvores, sempre à altura dos olhos de João.Um cheiro forte de terra molhada e ferro tomou conta do ar.Atrás de uma árvore grossa, João ouviu o estalar de um galho seco.

 

Ele prendeu a respiração. Pelo canto do olho, viu uma sombra alta e esguia se mover rápido entre os troncos. Sempre que ele parava, a sombra também parava.

Sempre que ele corria, os passos pesados atrás dele aceleravam. Uma névoa branca e fria começou a subir do chão, apagando o resto de luz do fim da tarde.

 

João correu sem olhar para trás, tropeçando em raízes até dar de cara com um paredão de pedra sem saída. Ao se virar de costas para a rocha, ele ouviu um rosnado baixo vindo de dentro da neblina, a poucos metros de distância.

Duas luzes vermelhas brilharam no escuro.

 

Com as costas coladas no paredão de pedra fria e os olhos vermelhos brilhando na névoa, João controlou o desespero e agiu rápido, usando o que estava ao seu redor.


Pegou uma pedra pesada e pontiaguda caída no chão ao seu lado.Lançou o objeto com força contra uma moita de espinhos no lado oposto. O barulho alto fez a criatura saltar na direção do som, errando o bote.

 

Enquanto o monstro atacava o arbusto vazio, João olhou para cima e viu a raiz grossa da figueira que descia pelo paredão de pedra. Ele segurou a madeira com força, ignorando a dor nas mãos, e subiu a rocha como um gato.

 

Ao atingir uma plataforma alta, ele se escondeu atrás de uma fenda escura. Lá embaixo, a sombra apenas farejava o chão, perdida na névoa.

Maria Augusta da Silva Caliari
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 29/07/2026
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