
"Ficou o perfume suspenso no Ar"
Foi-se sem despedir-se, como se o adeus fosse um peso grande demais para carregar na bagagem ou como se o próprio Tempo tivesse pressa de esquecer. Não houve o bater de uma porta, nem o eco de passos no corredor, apenas o silêncio que se instalou, pesado e definitivo, nas frestas da casa.
A xícara de café ainda morna sobre a mesa parecia ignorar a ausência, enquanto as cortinas balançavam com o vento, testemunhas mudas de uma partida sem rastro.
Partir assim, sem o aceno da mão ou a palavra derradeira, é deixar a história com reticências gravadas na pedra. Quem fica, recolhe os pedaços dos nós que não foram desatados, procurando nos cantos dos olhos o motivo do sumiço.
Ficou o perfume suspenso no Ar, um livro aberto na página metade lida e a certeza de que algumas pessoas mudam de rumo como as nuvens no Céu sem aviso, sem estrondo, simplesmente deixando de estar onde um dia foi doce abrigo! Que pena!
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 24/08/2026