
"Em uma Noite de Outono"
Em uma cidade antiga, cortada por um rio de águas calmas, viviam Clara e Tomás. Clara passava as tardes consertando relógios de bolso em uma pequena oficina, acreditando que o tempo podia ser ajustado, consertado ou pacificado. Tomás era cartografista; desenhava mapas de ruas que mudavam de nome e de montanhas que o vento redesenhava, convencido de que o destino era apenas um mapa que ainda não aprendemos a ler.
Um dia chuvoso, o relógio de bolso da avó de Tomás parou às 18h15. Ele entrou apressado na oficina de Clara. Quando ela ergueu os olhos para encará-lo, o ponteiro que estava parado deu um único e misterioso tique-taque. Nenhum dos dois disse nada por longos segundos, mas ambos sentiram que aquele instante não pertencia ao acaso.
Nos meses seguintes, Tomás passou a visitar a oficina todos os dias, trazendo mapas antigos e desculpas inventadas. Clara consertou o relógio, mas deixou o coração aberto. Descobriram que as suas infâncias haviam cruzado a mesma praça, que as suas mães tinham lido os mesmos livros e que, sem saber, fugiram um do outro por anos até que o tempo decidisse apertar o laço.
Houve tempestades, desencontros e dias em que os mapas de Tomás pareciam errados e os relógios de Clara pareciam atrasados. Mas em uma noite de outono, sob o mesmo céu onde se viram pela primeira vez, Tomás estendeu um mapa desenhado à mão! Não mostrava ruas ou montanhas, mas o caminho direto para a casa onde os dois finalmente iriam morar juntos. O relógio da avó marcou a hora certa, e o destino provou que certas linhas, por mais voltas que deem, nunca se quebram,não é vero?!
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 19/10/2026