
"O Transbordar em mim"
Há um momento exato em que a Represa racha e o silêncio acumulado vira Correnteza. Não há aviso prévio na Arquitetura do Colapso. O peito, que antes fingia Calmaria, de repente se descobre Oceano em dia de ressaca, engolindo praias, certezas e a falsa postura de quem achava que Dava conta de Tudo.
As Palavras perdem o freio e ganham o Mundo como lâminas cegas, cortando o Ar sem direção. A razão, essa bússola tão Elogiada nos dias Mornos, simplesmente assiste, Impotente, enquanto o Corpo inteiro é tomado por um Incêndio que consome a Lógica. É o avesso do Equilíbrio. Um transbordo bruto, onde a gente se perde de Si para se encontrar, despedaçado, no Chão da própria Intensidade. No final, resta apenas o eco do Vendaval e a tarefa Lenta de recolher os Cacos do que a Gente não soube segurar.
Depois que o Vento passa, o Silêncio que se instala não é o da Ausência, mas o do Recomeço. A Poeira baixa Devagar, e o Ar, antes pesado e sufocante, aos poucos Recupera a sua Leveza. Olhar em Volta é encarar o Cenário que Sobrou, mas já sem o Desespero do Impacto. O coração, cansado do próprio Barulho, dita um ritmo Novo, mais compassado e manso, como a Água que volta ao Leito depois de Inundar as margens. Há uma beleza sóbria nessa trégua: a certeza de que, Embora a Tempestade tenha levado algumas Certezas, o Chão sob os pés continua Firme, pronto para ver Brotar o que a Calmaria agora permite Semear.
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 21/10/2026