
"A engrenagem dos culpados"
No grande teatro da política nacional, a peça mais encenada não é a da inauguração das obras, mas a da distribuição das culpas. Quando as cortinas se abrirem para a próxima gestão, o roteiro do fracasso , caso ele venha e parece notório, já terá seus bodes expiatórios devidamente ensaiados nos bastidores.
Afinal, governar é a arte de colher os louros do acerto e terceirizar o boleto do erro.
A primeira da fila na tradição republicana é a sempre fiel "herança maldita". O argumento é um clássico que atravessa décadas e matizes ideológicos: o antecessor teria deixado o terreno tão minado, os cofres tão vazios e as "bombas fiscais" tão armadas que o novo mandato se resumiria a um trabalho de esquadrão antibomba. No entanto, há quem aponte que, a depender da continuidade política, essa desculpa perde o fôlego. Sem um rival direto no retrovisor para apontar o dedo, o retrovisor vira um espelho.
Quando o passado não serve mais de escudo, o alvo costuma se deslocar para os "sabotadores do presente".
Nesse balaio, cabem todos:
a) O Mercado Financeiro e os Juros Altos: Transformados frequentemente em vilões abstratos que "especulam contra o povo", ignorando que a desconfiança fiscal costuma ser a verdadeira mãe da inflação.
b) O Congresso Nacional: O eterno balcão de negócios que, na narrativa oficial, "chantageia o Executivo" e impede o país de avançar.
c) O Marketing e a Comunicação: Se o governo vai mal, a culpa nunca é da entrega, do preço dos alimentos ou do descontrole das contas, mas sim do marqueteiro que "não soube explicar os avanços" para a população.
O cidadão, que assiste à peça da plateia, já conhece o desfecho. Entre discursos inflamados e notas oficiais, a culpa roda o salão, passa de mão em mão e, no fim das contas, acaba sempre no mesmo endereço: o bolso de quem paga o imposto e espera, em vão, que alguém finalmente assuma o volante.
Contudo,O debate sobre a responsabilidade política no Brasil ganha novos contornos com a proximidade do próximo ciclo de governo. Analistas, opositores e o próprio mercado financeiro já discutem quem arcará com o ônus de eventuais dificuldades na nova gestão econômica e administrativa.Que Deus cuide da nossa Pátria amada ,Brasil!
Enviado por Maria Augusta da Silva Caliari em 04/11/2026